6 – Talento e Trabalho
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– Há pessoas que têm um talento especial para algumas coisas e, se trabalharem mais e melhor que todos os outros, poderão ser o número 1 em determinada área.
– Outras pessoas não têm qualquer talento natural aparente, mas, se trabalharem mais e melhor do que todos os outros, poderão também eles ser números 1 nas respectivas áreas.
Já reparaste, que, em ambos os casos, o segredo é “trabalhar mais e melhor”? Sim, o segredo é trabalhar, mas não é só trabalhar muito, é trabalhar com inteligência.
Não são as pessoas que trabalham muito que têm muito sucesso.
Um tio meu dizia: “Trabalho tantas horas todos os dias que não tenho tempo para ganhar dinheiro.”
Gosto da analogia do burro e do Ferrari:
Podes ser um trabalhador incansável, um “génio da caracoleta” mas se o teu veículo for um burro, nunca irás mais depressa do que a passo. Podes espancar o burro o quanto quiseres, mas não está na sua natureza correr a 300 Km por hora, por mais que o espanques. Por outro lado, se estiveres dentro de um Ferrari, basta um pequeno toque no acelerador para avançares tão rapidamente com um raio.
O veículo é tão importante como o talento e o trabalho.
No questionário verificaste as tuas espingardas. Podes ter muitas armas, poucas ou mesmo nenhumas, isso realmente não determina o teu resultado, determina somente o teu percurso.
Nas condições críticas do teu sucesso como guru estão, por ordem crescente de importância: menos importante, o talento, a seguir o trabalho e, finalmente, o mais importante: o sistema, ou método que traga resultados previsíveis.
O talento e o trabalho equilibram-se mutuamente.
Mais talento e mais trabalho melhores resultados, se usares um sistema adequado (o Ferrari). Pouco talento, compensa-se com mais trabalho.
Depois de ter frequentado o Conservatório de Música do Algarve como estudante de guitarra clássica, fui professor de música em algumas escolas. Numa dessas turmas havia um aluno a quem eu, na minha ignorância, não prestei grande atenção e não dei grande valor . Ele tinha mãos de cavador: dedos grossos e mãos calejadas. Não sabia cantar nem para salvar a vida. Para ele um DÓ e um RÉ eram precisamente o mesmo. O ouvido dele era duro que até tinha dificuldade em distinguir a altura das notas de uma escala diatónica. Se houvesse audições naquela escola para seleccionar alunos, ele nunca teria entrado.
O que é um facto é que nunca vi ninguém com tanta paixão pela guitarra nem com tanta capacidade de trabalho. Durante um ano inteiro andou continuamente atrasado em relação a todos os outros alunos. Os colegas (e eu mesmo também) tratavam-no com condescedência. Ponderei várias vezes perguntar-lhe o que é que ele andava ali a fazer e se não queria desisitir, pois não tinha a mais fraca centelha de talento e dava-me pena vê-lo esforçar-se tanto. Nunca lho disse, ainda hoje não sei porquê, mas ainda bem.
O facto é que no segundo ano, depois das férias de Verão o Zeca estava ao nível dos outros alunos. Tinha passado as férias a estudar e praticar, enquanto os outros iam para a praia e para as festas. No final do segundo ano era o melhor aluno, no final do terceiro começou a tocar em público por dinheiro e tornou-se sem dúvida um bom músico, muito acima de qualquer um dos outros, alguns deles muito talentosos.
O que levou o Zeca a trabalhar com tanto afinco durante tanto tempo, mesmo enquanto não via qualquer resultado? Nunca lho perguntei.
Mas aprendi esta lição:
Uma pessoa de sucesso faz coisas que os fracassados não estão dispostos a fazer .
O sucesso pouco tem a ver com talento.
O que não falta por aí são pessoas talentosas e fracassadas. Esta hitória serve para te por à-vontade no que diz respeito ao talento e ao trabalho. Ambos são importantes mas o trabalho é mais.
Como viste no início deste capítulo, “tudo se aprende” incluindo a ser um guru. No capítulo anterior identificaste as tuas circunstâncias actuais: os teus talentos e o trabalho já desenvolvido.