Tocando na rua!
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Hoje foi um dia diferente para mim: juntei alguns amigos, e uma vez que todos possuímos um certo talento musical, fomos para as ruas da zona Baixa de Coimbra tocar umas “modinhas”!
Mas afinal o que é isto de “tocar na rua”?
Neste post vou deixar algumas dicas, que podem ajudar todos aqueles que nunca arriscaram expor o seu talento nas ruas!
1 – Encontra um lugar onde possas tocar
Embora o termo “músico de rua” implique tocar numa rua ou próximo a ela, não o faças a menos que necessites. O barulho de automóveis costuma sobrepor-se ao som dos instrumentos acústicos, mas se houver bastantes pedestres pelas calçadas, pode valer a pena tentar. Procura lugares abertos como festivais de arte ou feiras de artesanato, onde a tua música será apreciada. Normalmente quanto maior o tráfego de pedestres, melhor.
Na minha experiência pelas baixas das cidades, esse é um sítio que costuma funcionar bastante bem! Porquê? Porque geralmente estão repletas de turistas que vão quase sempre apreciar o teu trabalho.
Quanto mais etnográfico/caricato for o teu trabalho, quanto maior for o elo de ligação entre o teu trabalho e o contexto em que o estás a apresentar, MAIOR é a probabilidade de teres sucesso a tocar na rua.
2 – É bem mais confortável tocar num lugar onde não precises de te preocupar com a possibilidade de ser afugentando por moradores, donos de loja ou até polícias.
Na maioria dos lugares é permitido tocar em locais públicos, desde que não se esteja obstruindo a passagem ou criando distúrbio. Normalmente o máximo que pode ocorrer é que alguém peça para que se retire. Se tiveres que utilizar uma tomada para um amplificador, por exemplo, deves pedir permissão antes.
3 – Toca de forma a que as pessoas te possam/conseguir ouvir = TOCAR EM PÉ
Tocar de pé faz com que o som seja projectado de forma mais eficaz. Se estiveres demasiado envergonhado para arriscar mais vale a pena não o fazeres porque se não encarares esta actividade com uma postura positiva, é muito possível que desanimes com muita facilidade… afinal estás dependente da boa vontade de quem passar por ti.
4- Sorri
Ás vezes podem solicitar-te que mudes de local enquanto estás a tocar. Deves encarar isso com naturalidade e “na boa” uma vez que quando se fecha uma porta, logo outra se abre.
5- Recipiente para que as pessoas que passam por ti possam colocar o seu dinheiro
Não é possível as pessoas adivinharem que estás ali para fazer uns trocos se não o demonstrares. Portanto, seja um chapéu ou a caixa do teu instrumento, tens que que conseguir colocar o teu recipiente de forma estratégica para que as pessoas possam contribuir com qualquer coisa.
Como geralmente as pessoas têm um certo de receio de se se aproximarem de quem está a tocar – não sei bem porquê, mas é o que tenho verificado – sugiro duas coisas neste ponto que creio ser importantes:
1 – Põe o recipiente a uma distância considerável – nem demasiado perto, nem demasiado longe;
2 – Quando começares a tocar, põe logo as moedas que tiveres no bolso no recipiente: isto vai facilitar/incitar a que as pessoas que passam por ti também ponham lá algumas moedas também.
6 – Não toques demasiado próximo de outros músicos
Se resolveres tocar perto de um outro músico vais acabar por atrapalhá-lo e vice-versa (além de que incomodas os pedestres). Em alguns casos, quando há muitos músicos na mesma área, eles dividem-se em turnos para tocar.
7 – Sorrir, Agradecer. Persistir, não desistir!
Não desanimes se não estiveres a conseguir muito dinheiro. Ninguém nasce ensinado e tocar na rua não foge a essa regra: há sítios melhores que outros, dias em que passam pessoas com maior sensibilidade, etc etc.Tocar na rua pode ser muito frustrante, mas também pode valer muito a pena porque afinal de contas A VIDA SEM MÚSICA NÃO FAZ QUALQUER TIPO DE NEXO, e o bom deste facto é que o podemos celebrar a qualquer momento.
SORRIR E TER UMA ATITUDE POSITIVA COM QUEM PASSA NA RUA é fundamental… caso contrário não se cria a empatia necessária para que o público adira àquilo que estás a tentar mostrar.
Hoje resolvi juntar-me com mais 3 amigos e fomos numa incursão até às ruas da baixa da Cidade de Coimbra, onde todos estudamos e nos conhecemos.
Chegamos à Rua Ferreira Borges por volta das 10:30h sem nada… apenas com um punhado de boa-vontade e energia para tocar algumas músicas.
Findo o dia de “trabalho” na rua eis o balanço (da minha perspectiva):
Diverti-me com os meus amigos enquanto fiz algo que é a minha vida: MÚSICA.
Fizemos o suficiente para pagar o almoço num restaurante a cada um e cerca de 53,75€ de lucro POR PESSOA.
A acrescentar a tudo isto, durante a parte da tarde, dois antigos estudantes de Coimbra ao verem-nos a tocar pela rua, ofereceram-nos algumas/bastantes rodadas de cerveja.
Querem melhor dia de férias que este? Música + Refeição paga + Cervejas + Lucro pessoal + Amigos?!
A verdade é que há muitos bons músicos de rua por essas esquinas fora… e o que é facto é que muitos deles não recebem a atenção que deveriam ter. Fica a sugestão: da próxima vez que passares por um número musical na rua toma um pouco de atenção porque há coisas que VALEM MESMO A PENA
Fica aqui um pequeno vídeo para terem uma noção de como foi o meu dia de hoje (ATENÇÃO: o vídeo não é de hoje mas é um cenário muito semelhante ao que criamos hoje na rua!)
Um abraço a todos,
Diogo Passos